Caso 1: O Velho Carteado

Um paciente que frequentava o consultório às segundas feiras melhorou quando os pais pararam de jogar carteado no fim de semana em casa. Você sabe como é a mesa do pessoal que joga? Não falta um cinzeiro monstro cheio de bitucas com aquele fedor característico.

Caso 2 : Um bordado depois do café.

Uma funcionária do hospital, participando do grupo anti-tabágico, teve de tomar uma atitude em relação ao fato de fumar logo após o cafezinho. Resolveu fazer um pequeno crochê para ocupar as mãos após o café. Funcionou e toda vez que tomava café, partia para o seu bordado. No grupo, discutiu-se esta técnica de se ocupar as mãos e mudar o ritual, mas a técnica foi desaprovada pelo grupo masculino que não sabia tricotar.

Caso 3 : Uma simples frase no receituário.

Dr Carlos, médico dos antigos, terno impecável e postura de “Barão”. Médico de família em Rio Claro, passeando no fim de semana na praça da cidade, foi interrompido por um senhor já bem idoso: - Dr Carlos, parei de fumar.
-Parou, meu filho. Como consegui isto?
-O senhor foi a minha casa atender minha patroa e lhe deu uma receita que estava escrito que fumar fazia mal à saúde. E eu pensei comigo: se na receita do Dr Carlos está escrito, é porque é verdade. E então parei de fumar.
Ainda existe o respeito ao médico antigo, como nos contou Dr Carlos Patrício de Rio Claro, São Paulo.

Caso 4: Viciada ou não viciada?

Uma atleta de academia me procurou querendo parar de fumar aqueles 8 cigarros diários. Na primeira reunião contei-lhe que havia uma dependência mais comportamental e não química, pois 8 cigarros eram muito poucos. Ela nào retornou à Segunda consulta e eu pensei que tivesse perdido mais esta batalha. Certo dia, encontrei-a na rua e ela gritou:
-Dr João Paulo, parei de fumar.
Interessado em saber como tinha conseguido tal façanha, pedi que me contasse sua estratégia.
-O Senhor me falou que eu não era dependente química da nicotina, que eu não era viciada. E eu achava que era viciada. O Senhor falou que eu não era, então parei de fumar.

Caso 5 : Alguns degraus de ajuda.

Uma senhora de seus 60 anos, com paralisia infantil e defeito em uma das pernas, querendo dificultar o seu acesso ao cigarro, jogava o maço do segundo para o primeiro andar, pois assim tinha que descer a escada para fumar. Com a dificuldade de se locomover, diminuiu de cara 50% do consumo.

Caso 6 : Eu precisava olhar para ele.

Um senhor negro de 1,90 cm de altura, peito bem forte por fora e enfisematoso por dentro, consegiui para de fumar, mas concervava o maço de cigarro em cima do móvel da sala, pois precisava saber que ele estava lá. A cada reunião semanal, ele nos contava que não tinha fumado, mas que o pacote estava lá em cima da mesa. Indagado sobre o porque disto, ele explicava:
-Dr, eu preciso olhar para ele. Eu preciso saber que ele está lá. Na penúltima reunião foi um aplauso só quando este senhor nos contou que agora ele não estava mais em cima da mesa.. Ele tinha colocado o maço dentro da gaveta. Hoje eu já sei que posteriormente o maço foi jogado no lixo.

Caso 7: E a secretária continua trabalhando com Ele

Um executivo estava querendo parar de fumar por que seu filho tinha asma. Durante o trajeto de casa até a escola, não fumava. Seu primeiro cigarro era quando ligava o computador no escritório e enquanto esperava tudo se aprontar fumava uns dois cigarros. Foi ironicamente orientado a comprar um computador mais rápido. Deixava o cigarro com a secretária para dificultar seu acesso a ele. Certo dia pediu a ela um cigarro. Ela disse que não estava na hora do próximo cigarro, pensando em colaborar com a terapia. Me dá um cigarro. Não dou . Me dá. Não dou.
Indignado com a situação e sobre os efeitos da síndrome da abstinência, atirou o cinzeiro na secretária, levantou e foi buscar um cigarro.
Este senhor conseguiu parar de fumar. Mas o mais incrível é que sua secretária ainda continua trabalhando com ele.

Caso 8 : Um Alto Dependente da Nicotina

Nosso paciente era alto dependente da nicotina, fumante em certas épocas de até 60 cigarros por dia. Aos 28 anos de idade sentiu um formigamento no quinto dedo do pé esquerdo que necrosou e caiu. Mesmo assim não parou de fumar. Após 5 anos, houve necessidade de se amputar mais 3 dedos do pé esquerdo. Mesmo assim não parou de fumar. Mais 5 anos sentiu um formigamento no pé direito e logo depois houve necessidade de se amputar o terço anterior do pé direito. Mesmo assim não parou de fumar. Mais alguns anos se passaram e se iniciou um formigamento no braço esquerdo, que foi a gota dágua para que este fumante conseguisse passar para o grupo de ex-tabagistas.
Esta doença é a Tromboflebite Obliterante Aguda. Trata-se de uma diminuição do calibre da artéria que leva sangue para os tecidos, diminuindo-se a oxigenação dos mesmos, havendo necrose ou apodrecimento desse local. A esposa deste paciente comenta que havia concomitante a este problema, dificuldades em se ter relação sexual, pois o fluxo de sangue pela artéria peniana também diminuiu, dificultando a ereção.
A razão de contarmos esta história verídica é mostrar aos altos dependentes de nicotina que dá para parar de fumar. Pode ser difícil, mas não impossível.

Caso 9 : depoimento de paciente com Enfisema Pulmonar

Meu nome é Tereza Wagner Campos. Tenho 74 anos. Profissão professora. Eu fumava, tudo bem, achava gostoso, até que um dia eu fiquei sem ar. Mas fiquei sem ar de verdade. Fiquei alguns dias respirando com dificuldade, fui para o hospital e fiquei 16 dias recebendo oxigênio e estou no oxigênio até hoje.
Dos 15 aos 16 anos fumávamos escondidas. O primeiro maço de cigarro foi meu pai que me deu, porque achava bonito uma mulher que fumasse. Pegávamos o cigarro, fumávamos no banheiro do cinema e acendíamos o fósforo na boca para tirar o cheiro do cigarro. Comecei a fumar na escola normal com quinze anos: éramos 3 terezinhas e as 3 saiam da aula para fumar. Com 16 me formei professora e parei de fumar. Depois comecei a fumar aos 20 anos.. Meu pai fumava e parou de uma hora para outra. Minha mãe não fumava mas a minha tia com quem eu morei fumava. Eu passei a fumar no início 10 cigarros, depois passei para 20 e me controlava da seguinte maneira: se um dia fumasse 21, no outro fumava 19 cigarros. Meu filho fuma. Assim foi até que pelas tantas eu passei a fumar 10 cigarros por dia. Eu acordava , tomava café e começava a fumar. Assim foi por 50 anos.
A vida com oxigênio não está muito boa. Eu durmo com oxigênio e muitas vezes eu fico com ele durante o dia. No começo eu usava o dia inteiro, depois eu arrumei um botijão pequeno para poder ir a feira e passear de carro. A noite piora a falta de ar e eu durmo com oxigênio a noite toda.
O que eu tenho para falar para quem fuma? –É melhor não começar, porque depois que começa precisa Ter muita força de vontade. Eu larguei quando fui internada. Antes de começar a falta de ar , eu não percebia a falta de ar, a não ser quando eu andasse muito. Um dia , na hora do almoço eu percebi que estava com falta de ar. Fui para a UTI e melembro da médica ao lado do meu leito dizendo: -Vai intubar ou não vai intubar. Foi terrível.
Eu tenho a dizer que é uma bobagem começar a fumar, afinal o que estamos fazendo: queimando dinheiro e soltando uma fumaça que está prejudicando o pulmão da gente. Depois será muito difícil largar. Precisa muita força de vontade e muita decisão para largar.
Quando precisar, estarei ‘as suas ordens, espero.

Dona Terezinha já não fuma há 5 anos. Não tomou esta decisão antes por que foi burra, segundo seu próprio depoimento. Suas últimas palavras neste depoimento foram:
-Espero que os jovens não comecem porque depois é muito difícil. Não é gostoso, vão ficar com boca amarga e com dentes escuros, ignorando o que poderá acontecer com eles.

O enfisema pulmonar vem acometendo o pulmão devagarinho. Existe uma compensação da parte cardio-circulatória e você passa a se compensar, até que um dia a falta de ar aparece e aí já é tarde, como aconteceu com dona Terezinha que ficou no oxigênio com uma má qualidade de vida.